"Um mundo se abrirá aos seus olhos"
Sebastião
Cícero dos Guimarães Passos. Nascido
em Maceió (AL), foi um poeta parnasiano, lírico
e, um pouco pessimista, advogado e professor, dedicado também ao estudo
de questões vernáculas, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras,
criando a cadeira de nº 26, tendo como patrono Laurindo Rabelo.
Fez seus estudos primários e preparatórios em Alagoas.
Aos 19 anos seguiu para o Rio de Janeiro, fazendo amizade com os jovens boêmios
e intelectuais. Entrou para a redação dos jornais e passou a fazer parte do
grupo de Paula Ney, Olavo Bilac, Coelho Neto, José do Patrocínio, Luis Murat e
Arthur Azevedo.
Colaborou com a Gazeta da Tarde, a Gazeta de Notícias,
A Semana. Publicava crônicas e versos e, por onde trabalhou, também escreveu
sob o pseudônimo de Filadelfo, Gill, Floreal, Puff, Tim e Fortúnio.
Ele também era arquivista da Secretaria da Mordomia da
Casa Imperial. Porém, com a proclamação da República, essa repartição foi
extinta e ele passou a viver somente de seus trabalhos jornalísticos.
Exilou-se em Buenos Aires, devido ter participado da
revolta contra Floriano Peixoto. Na Argentina colaborou com os jornais La
Nación e La Prensa, também fazendo conferências sobre temas literários
relacionados ao Brasil.
Voltou do exílio em 1896, sendo um dos primeiros
poetas chamados para formar a Academia Brasileira de Letras.
Em 1905 Guimarães Passos, publicou junto com Olavo Bilac, “Tratado de versificação” que logo se tornou referência nacional, e continua até os dias de hoje. Agora numa nova edição minuciosamente revisada e editada e com novo prefácio do poeta brasileiro José Francisco Botelho, publicado pela BEC editora.
O livro é dividido em duas partes. Na primeira,
os autores apresentam um breve panorama da literatura nacional, apoiado
largamente nos trabalhos de Sílvio Romero. Na segunda, vem o tratado
propriamente dito, inspirado no Tratado de Metrificação Portuguesa (1851), de
António Feliciano de Castilho, do qual foram colhidas as descrições do valor
sugestivo das letras e dos sons vocálicos e consonantais.
Contraindo tuberculose e não tendo melhoras no Brasil,
seguiu para a Ilha da Madeira e, daí, para Paris, onde veio falecer, em 09 de
setembro de 1909, aos 42 anos de idade.